Campos Vetoriais | Definição e Primeiros Exemplos

Um campo vetorial é uma função vetorial de várias variáveis onde o domínio e a imagem estão no mesmo espaço espaço euclidiano. Sejam m e n dois naturais diferentes de zero. Uma função de n variáveis reais a valores vetoriais em \mathbb{R}^m é uma função f:A\rightarrow \mathbb{R}^m, onde A é um subconjunto não vazio de \mathbb{R}^n, denominado domínio de f. Ou seja, para os campos vetoriais, temos uma função deste tipo, onde m = n.

Os termos aplicação transformação são sinônimos de função e várias vezes são utilizadas para diferenciar as funções vetoriais de várias variáveis das demais.

Mais abaixo, neste artigo, temos uma vídeo-aula e uma lista com vários exercícios resolvidos sobre Campos Vetoriais. 

O QUE É UM CAMPO VETORIAL?

Seja A um subconjunto do \mathbb{R}^n e \vec{F} uma transformação de A em \mathbb{R}^n. Se para cada ponto de A o associarmos ao vetor \vec{F} iremos nos referir a \vec{F} como um campo vetorial.

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No espaço \mathbb{R}^3, considere P(x,y,z) um ponto de um conjunto de pontos do espaço. Se para cada ponto P deste conjunto associarmos um vetor \vec{F}(P) = \vec{F}(x,y,z), então obtemos um campo vetorial para estes pontos e \vec{F}(x,y,z) é denominada função vetorial.

Em coordenadas cartesianas, $$\vec{F}(x,y,z) = F_1(x,y,z) i + F_2(x,y,z)j + F_3(x,y,z)k$$ onde i = (1,0,0), j = (0,1,0) e k = (0,0,1) e F_i : \mathbb{R}^3 \rightarrow \mathbb{R}

Exemplos Gráficos de Campos Vetoriais

O nome campo vetorial se justifica se expressarmos graficamente \vec{F} do seguinte modo: em cada ponto u \in A desenhamos um vetor de tamanho e direção de \vec{F} (u) com a origem em u

Campo Vetorial numa CurvaCampo vetorial gerado pelos vetores tangentes à curva em um pontoCampo de vetores normais a uma superfícieCampo de vetores normais a uma superfícieCampo Vetorial gerado pela equação diferencial ordinária do pêndulo PlanoCampo Vetorial gerado pela equação diferencial ordinária que modela o pêndulo PlanoCampo Vetorial sobre a esferaCampo Vetorial sobre a esferaCampo vetorial velocidade de um fluido com fluxo constanteSeja um fluido percorrendo um encanamento com fluxo constante. Se associamos a cada ponto a velocidade do fluido nesse ponto, obtemos um campo de vetores de velocidades do fluido.Campo Vetorial de Fluxo de Calor Numa PlacaUma superfície metálica é aquecida por um lado de tal modo que perde calor pelo outro; a forma que flui o calor na placa define um campo de vetores que vai das regiões mais quentes para as mais frias.Campo Vetorial MagnéticoA corrente elétrica fluindo através de um fio induz um campo de vetores ao redor do fio, chamado campo magnético.

Mais Exemplos Sobre Campos Vetoriais

EXEMPLO 1

Vamos representar geometricamente o campo vetorial \vec{F}(x,y) = j

Este campo vetorial é constante e associa a cada ponto do plano o vetor j=(0,1) aplicado em (x,y).

EXEMPLO 2 (Campo Vetorial Tangente ao Círculo de Raio r>0 e Centrado na Origem)

Considere o campo vetorial $$\vec{F}(x,y) = \left( -\frac{y}{x^2+y^2} ,\frac{x}{x^2+y^2} \right).$$

Em coordenadas polares o campo vetorial é dado por $$\vec{F}(r,\theta) = \frac{1}{r}\left( -\sin{\theta} ,\cos{\theta}\right); \qquad r>0$$ e é representado por

Este campo vetorial tem direção igual à do vetor tangente ao círculo de raio r>0 centrado na origem.

Observe que \| \vec{F}(r,\theta) \| \rightarrow + \infty se r \rightarrow 0 e \| \vec{F}(r,\theta) \| \rightarrow 0 se r \rightarrow + \infty .

EXEMPLO 3 (Campo Radial de Quadrado Inverso)

Seja o campo de posição P(x,y,z) . Definimos o seguinte campo: $$ \vec{F} (x,y,z) = \frac{k}{\| P(x,y,z) \| ^3 } P(x,y,z) ,$$ sendo k \in \mathbb{R} . Se k < 0 então este campo vetorial apontará para a origem do sistema de coordenadas.

Este campo é denominado campo radial de quadrado inverso e não está definido, obviamente, na origem do sistema de coordenadas.

Observe que quanto mais afastado da origem está P(x,y,z) menor é a norma do campo \vec{F} (x,y,z)  .

Além disso, podemos observar por $$ \| \vec{F} (x,y,z) \|= \frac{|k|}{\| P(x,y,z) \| ^2 }$$ que a norma do campo \vec{F} (x,y,z)  é inversamente proporcional ao quadrado da distância da origem ao ponto (x,y,z).

São exemplos de campos radiais de quadrado inverso: 1) a força exercida sobre una partícula de massa descrita nas condições da lei da gravitação universal de Newton; e 2) o campo elétrico gerado por uma partícula carregada e regido pela lei de Coulomb.

Campo Radial de Quadrado InversoCampo Radial de Quadrado Inverso com k = −1 e sua projeção no plano.

Continuidade e Diferenciabilidade de um Campo Vetorial

Como todo campo vetorial é um caso particular das funções vetoriais de várias variáveis, podemos definir a continuidade e a diferenciabilidade deste tipo de função de modo direto.

Seja A um subconjunto do \mathbb{R}^n. O campo vetorial \vec{F}A \rightarrow \mathbb{R}^n é dito contínuo, diferenciável ou de classe C^k em u \in A se todas as suas funções coordenadas $$ F_i : A \subset \mathbb{R}^n \rightarrow \mathbb{R} $$ são contínuas, diferenciáveis ou de classe C^k , respctivamente.

Se para cada ponto de A o associarmos ao vetor \vec{F} iremos nos referir a \vec{F} como um campo vetorial.

O Campo Gradiente

Seja z=f(x_1, x_2,..., x_n) uma função definida num conjunto aberto A \in \mathbb{R} ^n tal que as derivadas parciais existam. Definimos o vetor gradiente de f por $$\nabla f (x_1, x_2,…, x_n) = \left(\frac{\partial f}{\partial x_1} (x_1, x_2,…, x_n) , \frac{\partial f}{\partial x_2} (x_1, x_2,…, x_n) , … , \frac{\partial f}{\partial x_n} (x_1, x_2,…, x_n) \right).$$

Observe que \nabla f é uma função vetorial de várias variáveis, ou seja, é um campo vetorial.

Neste caso, o operador \nabla pode ser considerado, livremente, como um vetor dos operadores parciais da derivada: $$ \nabla = \left(\frac{\partial }{\partial x_1}, \frac{\partial }{\partial x_2},…, \frac{\partial }{\partial x_n}\right)$$

Nos espaços \mathbb{R} ^2 e \mathbb{R} ^3 o vetor gradiente pode ser escrito como $$\nabla f = \left(\frac{\partial f}{\partial x} , \frac{\partial f}{\partial y} \right) = \frac{\partial f}{\partial x} \vec{i} + \frac{\partial f}{\partial y} \vec{j} $$ $$\nabla f = \left(\frac{\partial f}{\partial x} , \frac{\partial f}{\partial y} , \frac{\partial f}{\partial z} \right) = \frac{\partial f}{\partial x} \vec{i} + \frac{\partial f}{\partial y} \vec{j} + \frac{\partial f}{\partial z} \vec{k}$$ onde \{ \vec{i}, \vec{j} \} e \{ \vec{i}, \vec{j} , \vec{k} \} são, respectivamente, os vetores das bases canônicas de \mathbb{R} ^2 e \mathbb{R} ^3 .

EXEMPLO

Considere a função f(x,y) = x^2 + y^2 .

As curvas de nível desta função são circunferências centradas na origem cujos raios crescem à partir da origem.

Como vimos no artigo sobre o Vetor Gradiente, o vetor \nabla f são perpendiculares às curvas de nível da função f.

Desta forma, como $$ \nabla f = \left( 2x , 2y \right) = 2 (x,y)$$ o campo vetorial gradiente neste caso é formado por vetores com tamanho dado pelo dobro da distância do ponto (x,y), onde o vetor está aplicado, à origem, ou seja, à medida que o ponto se afasta da origem o comprimento do gradiente cresce e fica igual a duas vezes a distância do ponto à origem.

Isso pode ser visto na representação gráfica abaixo:

Campo gradiente de f(x,y) = x2+y2

EXEMPLO


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Considere a função f(x,y) = x^2 - y^2 .

As curvas de nível desta função são hipérboles e como $$ \nabla f = \left( 2x , – 2y \right) = 2 (x,-y),$$ então o campo vetorial gradiente neste caso é formado por vetores que crescem, ficando igual a duas vezes a distância do ponto à origem, à medida que o ponto se afasta da origem.

Isso pode ser visto na representação gráfica abaixo:

Campo gradiente de f(x,y) = x2-y2

Campos Conservativos:

Um campo vetorial \vec{F}(x,y): \Omega \subset \mathbb{R}^n \rightarrow \mathbb{R}^n denomina-se conservativo se existe um campo escalar diferenciável \varphi: \Omega \rightarrow \mathbb{R} tal que
\begin{equation}
\nabla \varphi = \vec{F}\;\;\;em\;\;\;\Omega. \label{conservativo}
\end{equation}

Portanto, um campo vetorial é conservativo se é um campo gradiente.

Uma função \varphi que satisfaz essa igualdade denomina-se função potencial de \vec{F}.

EXEMPLO

Considere \vec{F}(x,y) = \frac{x}{x^2+y^2} i + \frac{y}{x^2+y^2} j se (x,y)\neq(0,0) é conservativo?

Se este campo vetorial for conservativo, existirá uma função \varphi(x,y) de modo que $$\nabla \varphi (x,y) = \left( \frac{\partial \varphi}{\partial x}, \frac{\partial \varphi}{\partial y} \right) = \left( \frac{x}{x^2+y^2} , \frac{y}{x^2+y^2} \right) = \vec{F}(x,y).$$ Desta forma, $$\frac{x}{x^2+y^2} = \frac{\partial \varphi}{\partial x} \Rightarrow \varphi(x,y) = \frac{1}{2}\ln{(x^2+y^2)}+g(y).$$

Daí, $$\frac{\partial \varphi}{\partial y} = \frac{y}{x^2+y^2}+g'(y) \Rightarrow g'(y) = 0 \Rightarrow g(y) = c. $$

Portanto, tomando $$\varphi(x,y) = \frac{1}{2}\ln{(x^2+y^2)} +c$$ podemos mostrar que o campo vetorial é conservativo.

Listas de Exercícios Resolvidos

Leia Mais:

Video-Aula Sobre Campos Vetoriais:

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